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– Editorial

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Editorial

Através do editorial, à semelhança do que acontece com o comentário, a crítica e a crónica, são assumidas posições sobre os acontecimentos. Trata-se de um discurso de opinião, normalmente escrito por um indivíduo que adota um ponto de vista da globalidade da publicação. Se for assinado, o editorial é da responsabilidade do seu autor, se não for, responsabiliza-se toda a direção da publicação pelo seu conteúdo.

Representando uma visão crítica sobre acontecimentos sociais, políticos e/ou económicos da atualidade, o editorial é um importante meio de intervenção na formação da opinião pública.

As funções essenciais do editorial são, dependendo dos casos, explicar os factos apresentando os seus antecedentes e as suas relações, predizer o futuro e formular juízos de valor.

 

Os editoriais podem ser agrupados, genericamente, em três tipos:

Editorial polémico Tomando uma posição polémica relativamente a alguém ou a algo, apresenta ideias contrárias e procura convencer pela via da argumentação.
Editorial interpretativo A partir de dados científicos, o editorialesta apresenta em pormenor o tema, favorecendo a sua compreensão ou a formulação de um juízo, expondo, de seguida, as conclusões que considera as mais acertadas, para as quais orienta os leitores.
Editorial objetivo e analítico Próximo do anterior, expõe os dados e os factos de forma objetiva, procurando explicar mais do que sentenciar ou formular opinião sobre o tema avançado.

Características do registo linguístico

Através de um discurso claro, conciso e breve, o ditorial caracteriza-se pela presença predominante de:

  • Deíticos temporais e espaciais que situam o acontecimento;
  • Formas verbais no presente, pretérito perfeito e futuro do indicativo;
  • Frases do tipo declarativo;
  • Conectores e organizadores discursivos com valor argumentativo;
  • Verbos auxiliares modais como “querer”, “dever”, “ser preciso”;

Pronomes pessoais “nós”, “se”

Estrutura (possível) do editorial

  • Apresentação do tema
  • Exposição das suas implicações e consequências
  • Tomada de posição pessoal

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A sociedade da insatisfação

“No anúncio televisivo a um aparelho de ar condicionado veem-se duas jovens sentadas num quarto e um jovem deitado na cama. As duas jovens começam a brincar lançando objetos uma à outra. As duas jovens começam a brincar, lançando objetos uma à outra – até que se atiram para a cama, agarrando-se ao rapaz.

Moral da história: os homens que comprarem aparelhos de ar condicionado da marca anunciada terão mulheres à discrição.

Quase toda a publicidade funciona assim.

Promete um mundo de ilusão.

As raparigas que comerem certos produtos terão corpos como o da Cindy Crawford; os homens que comprarem uma dada marca de carro rivalizarão com Robert de Niro; as mulheres que usarem determinados cremes serão tão bonitas como a Isabella Rossellini; e até as que preferirem um dado cartão de crédito serão longilíneas como a Fernanda Serrano.

Somos constantemente bombardeados por imagens que mostram um mundo de gente bonita ao qual poderemos perfeitamente aceder – desde que consumamos isto ou aquilo.

O problema reside, depois, no confronto do mundo prometido pela publicidade com o mundo reaç.

E aí é que são elas: todos sofrem enormes desilusões. Uns por não poderem comprar tudo o que a publicidade anuncia e que se acredita ser fantástico: carros, viagens, produtos de beleza, uma infinidade de alimentos, carros, jogos, etc. Outros porque os produtos que adquiriu não correspondem, regra geral, àquilo que a publicidade prometia. Os carros têm problemas e não fazem seus condutores Roberts de Niro. As viagens são cansativas, há esperas intermináveis nos aeroportos, perdem-se malas e os locais de destinos não são tão deslumbrantes como pareciam nos folhetos.

Vivemos, assim, naquilo que podemos designar por sociedade da insatisfação. As pessoas, tendo hoje uma vida melhor do que tinham há vinte ou trinta anos, são muito mais infelizes. Sentem-se insatisfeitas quando não podem consumir o que a publicidade lhes propõe. Mas continuam infelizes quando, depois de consumirem, verificarem que os produtos não eram o que prometiam e que o consumo não lhes trouxe a prometida felicidade.”

(Editorial, in Expresso)

Podemos encontrar neste editorial algumas das características a que deve obedecer este tipo de texto:

  • exprime uma opinião acerca de um assunto polémico com o objetivo de influenciar o leitor;
  • não vem assinado, sendo, portanto, da responsabilidade da publicação em que surge;
  • não está redigido na 1ª pessoa, embora seja subjetivo;
  • apresenta: Introdução: “a publicidade promete um mundo de ilusão” (tese);  Desenvolvimento: argumentos e exemplos; Conclusão: vivemos numa sociedade de insatisfação.
 

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