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– Estilo barroco

INTRODUÇÃO

O nome “barroco” (provavelmente derivado de barueco, a palavra espanhola que designava uma pérola de forma irregular) foi atribuído nos finais do XVIII e possuía alguma intenção pejorativa, uma vez que nessa altura este período era ainda considerado como a fase de decadência do renascimento. Só nos inícios do século XX este estilo é reconhecido como um dos mais importantes da história moderna. Desenvolvida durante o século XVII, num ambiente dominado

  • pelos progressos científicos,
  • pela consolidação das grandes monarquias absolutistas,
  • pelo movimento da contra-reforma da igreja católica e
  • pela expansão protestante nos países nórdicos,

a arte barroca prolongou-se pelo século XVIII em muitos países. O estilo barroco nasceu em Itália, a partir das experiências maneiristas de finais do século XVI e expandiu-se rapidamente para outros países europeus, atingindo mais tarde as colónias espanholas e portuguesas da América Latina e da Ásia. Apesar das diferentes interpretações que se verificaram nos diferentes países e regiões, determinadas por diferentes contextos políticos, religiosos e culturais, este estilo apresentou algumas características comuns, como

  • a tendência para a representação realista,
  • a procura do movimento e do infinito,
  • a importância cenográfica dos contrastes luminosos,
  • o gosto pelo teatral,
  • a tentativa de integração das diferentes disciplinas artísticas.

ARQUITECTURA

Durante o período barroco, duas tipologias protagonizaram as pesquisas formais e construtivas: o palácio e a igreja. Os arquitectos barrocos entendiam o edifício de forma integrada, como se fosse uma grande escultura, única e indivisível. A sua forma era ditada por complexos traçados geométricos (muitas vezes baseados em formas curvas e em ovais) que imprimiam qualidades dinâmicas aos espaços e às fachadas. Paralelamente abandonaram-se os rígidos esquemas compositivos baseados nas ordens clássicas.

O Barroco nasceu em Itália, mais especificamente na Roma Papal seiscentista. Três arquitectos protagonizaram o desenvolvimento deste estilo: Gian Lorenzo Bernini, o mais monumental, Borromini, mais original e Piero da Cortona. A pequena igreja de San Carlo alle Quatro Fontane, projectada em 1665 por Borromini, constitui um dos mais notáveis edifícios construídos neste período

  • pela extrema complexidade e dinâmica da planta,
  • pela total subversão das regras tradicionais e
  • pela forma ondulante das paredes.

Fora de Roma, destaque para a igreja de Santa Maria della Salute, de Veneza, projectada por Baldassare Longhena e para os trabalhos de Guarino Guarini, de inspiração borrominiana, como a Capella della Santa Sindone, em Turim.

O Barroco francês assumiu características simultaneamente mais monumentais e clássicas. O seu afastamento relativamente à estética italiana foi afirmado com recusa do projecto de Bernini para a ampliação do Louvre. Este estilo encontrou a sua máxima expressão no Palácio de Versalhes, uma residência real construída nos arredores de Paris por Louis XIV, projectada pelo arquitecto Louis le Vau e pelo jardineiro André le Nôtre, que integra um vasto palácio e um enorme jardim estruturado por longos eixos e pontuado por estátuas, fontes e um enorme canal.

As guerras na Alemanha e a invasão Turca da Áustria condicionaram grandemente a introdução do estilo barroco nestes países. Por esta razão, o Barroco alemão e austríaco foi desenvolvido mais tardiamente e, embora se fundamente em modelos italianos, a sua exuberância decorativa denuncia conceitos já próximos do estilo Rococó. Em Inglaterra este estilo foi protagonizado por Sir Christopher Wren, autor de muitos projectos para reconstrução das igrejas de Londres, dos quais se destaca o da Catedral de São Paulo, iniciada em 1675.

ARTES PLÁSTICAS E DECORATIVAS

No campo pictórico assistiu-se, neste período, para além da transformação estilística, ao alargamento dos géneros e das próprias dimensões da pintura, de forma a integrar organicamente os espaços arquitectónicos. Esta pintura em trompe l’oeil, aplicada em paredes e tectos constituiu uma das mais originais contribuições do Barroco. O mais influente pintor deste período foi o italiano Caravaggio, famoso pelas pinturas religiosas nas quais os contrastes entre a luz e a sombra na modelação dos corpos e dos espaços introduz uma atmosfera dramática de intensa espiritualidade.

A pintura barroca flamenga afirmou-se através do trabalhos de dois artistas, bastante diferentes entre si: Peter Paul Rubens, autor de uma pintura vigorosa, sensual e teatral, e  Rembrandt van Rijn, pintor mais introvertido, executou inúmeros auto-retratos inspirados na linguagem intensa e dramática de Caravaggio.

Em Espanha a pintura atingiu um elevado nível artístico, protagonizada por Diego Rodríguez da Silva e Velásquez, por Bartolomeu Murillo e por Francisco Zurbarán. Velásquez, pintor oficial da corte e um dos mais originais artistas barrocos, realizou a sua obra prima, “As Meninas”, em 1629. Em França, ao caravagismo de sentido intimista da pintura de Georges de La Tour opõem-se a vertente mais classicista dos trabalhos de Nicolas Poussin e o carácter cenográfico das pinturas de Charles le Brun para o Palácio de Versalhes. A escultura barroca encontrou o seu paroxismo nas obras do italiano Gian Lorenzo Bernini, caracterizadas pelo virtuosismo técnico e pela tentativa de captar o movimento em momentos fugidios, caso das peças “Apolo e Dafné”, realizada entre 1622 e 1624 ou no “Êxtase de Santa Teresa”, de 1645.

LITERATURA

Vários países aderiram ao movimento na Europa. Referimos as designações que o classificaram a partir de obras literárias:

  • na Inglaterra foi designado eufuísmo (da obra Euphues de John Lyly, incluindo-se  Milton na literatura e Haendel – compositor alemão que se radicou nas Ilhas Britânicas – na música);
  • na Itália surgiu a designação de marinismo (de Giambattista Marino, a que se juntaram Tassoni e Pavalicini); Hoffman e Lohenstein da segunda escola da Silésia e, principalmente Angelus Silesius divulgam o movimento da escola com o nome de silesianismo;
  • na França, Molière desvia-se dos grandes clássicos, como Corneille, Racine, Boileau, Bossuet, e ridiculariza a vida de salão, as “preciosas ridículas”, em Sabichonas, e o movimento surge com o nome de preciosismo;
  • na Espanha, apesar da excelência dramática de Tirso de Molina, Lope de Vega e Calderón de La Barca, o movimento desponta com Luís de Gôngora em Saudades, a Fábula de Polifemo y Galateia, surgindo a designação de Gongorismo.

Portugal adere, também, como podemos ver em Lampadário de Cristal de Jerónimo Baía, superlativando o real quotidiano, e aceita o nome que a Espanha dera ao movimento. Acentua-se o emprego de recursos estilísticos, nomeadamente metáforas, paronímias, hipérbatos, comparações, anáforas, hipérboles, antíteses, assíndetos, catacreses, pleonasmos, perífrases, trocadilhos, a assimetria, o geometrismo, o predomínio da ordem imaginativa sobre a lógica, os conceitos com o seu engenho e agudeza com vista à novidade e ao inusitado. Entre outros, refira-se o soneto de Jerónimo Baía, no qual cada verso é composto de duas metades que formam um todo, afirmando o geometrismo formal.

(Orlando Neves)

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