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– Definições e exemplos (II)

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Frase e constituinte da frase

Frase Enunciado em que se estabelece uma relação de predicação, que contém, no mínimo, um verbo principal, podendo ainda incluir elementos como o sujeito, complementos selecionados, predicativos e eventuais modificadores.
Grupo nominal Grupo de palavras cujo constituinte principal é o nome ou um pronome e que funciona como uma unidade sintática. O grupo nominal pode ser constituído por:- um nome e um pronome

  • Lisboa é a capital de Portugal.”
  • Ela chegou.”

– um nome com complementos

  • A construção da ponte demorou vários anos.”

– um modificador

  • A rapariga que conheceste vive nessa casa.”

– determinantes e/ou modificadores

  • Todos os meus irmãos vivem em Lisboa.”
Grupo adjetival Grupo de palavras cujo constituinte principal é o adjetivo e que funciona como uma unidade sintática. Pode ser constituído por:- um adjetivo

  • “Uma mulher misteriosa pediu a palavra.”

– adjetivo com complemento

  • “Os alunos estão felizes com a escola.”

– advérbios de quantidade

  • “A Rita é uma rapariga muito inteligente.”

– advérbios de grau

  • O mais inteligente dos meus alunos vive em Lisboa.”
Grupo verbal Grupo de palavras cujo constituinte principal é o advérbio e que funciona como uma unidade sintática. Pode ser constituído por:- um advérbio

  • “O João viu a Maria ontem.”

– um advérbio e um complemento

  • Independentemente da tua opinião, isto funciona.”

– advérbio e outros advérbios que o precedam

  • “O João é o rapaz que corre mais rapidamente.”

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B.4.2. Funções sintáticas

Sujeito

Função sintática desempenhada pelo constituinte da frase que controla a concordância verbal. Grupos nominais e orações substantivas podem desempenhar a função sintática de sujeito.- grupos nominais

  • Os meus primos vivem em Santarém.”
  • “Este rapaz alto que conheces estudou no Porto.”
  • “Chegaram os soldados do exército do rei.”

– orações subordinadas substantivas

  • Quem vai ao mar perde o lugar.”
  • “É verdade que ele me mentiu.” / “Isso é verdade.”
  • “É certo que ele foi despedido.”
  • “Espanta-me que ele tenha ganho um prémio.”
Simples Constituído exclusivamente por um grupo nominal ou uma oração

  • O Manuel telefonou pelas nove horas.”
  • Quem não arrisca não petisca.”
Composto Constituído por uma coordenação de:- grupos nominais

  • O Manuel e a Maria telefonaram pelas nove horas.”

– grupos de orações

  • Quem não arrisca e sabe o que quer é bem sucedido.”

– combinação destas categorias

  • Eu e tu telefonámos pelas nove horas.”
  • O Pedro e quem tu sabes acabou de entrar na sala.”
Nulo Sujeito sem realização lexical

  • “Chova muito hoje.”

– expletivo

  • “Há neve naquela montanha.”

– subentendido

  • “Vamos embora.”

– referente a uma entidade não específica

  • “Chegou.” (= alguém chegou)
  • “Dizem que vai chover.” (= alguém diz)

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Vocativo Ocorre frequentemente em frases imperativas, interrogativas e exclamativas.

  • Miguel, dás-me a bola?”
  • Ó Miguel, não me digas que te enganaste outra vez!”
Nota: O vocativo distingue-se do sujeito por poder co-ocorrer e por não ser o vocativo a controlar a concordância verbal.

  • “Amigos, comam a sopa.” (o sujeito é nulo)

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Funções sintáticas internas do grupo verbal

Complemento Função sintática distinta da função de sujeito desempenhada por um constituinte selecionado por:- verbo

  • “O João comeu o bolo.” (Errado: “O João tossiu o bolo.”)

– complemento do nome

  • “A ideia de comprarmos a casa agrada-me.”

– complemento do adjetivo

  • “O Pedro está orgulhoso do seu filho.”

– complemento da preposição

  • “O Pedro está em casa.”
Direto É selecionado por um verbo e pode ser substituído pelo pronome acusativo (o, a, os as) e a oração subordinada substantiva pode ser substituível pelo pronome demonstrativo átono “o”. O complemento direto pode ser:- nominal

  • “O João comeu o bolo.” / “O João comeu-o.”
  • “A Margarida perdeu a mala que a mãe lhe deu.” / “A Margarida perdeu-a.”

– oracional

  • “A Margarida disse que o João comeu o bolo.” / “A Margarida disse-o.”
Indireto Complemento selecionado pelo verbo que tem a forma de grupo preposicional e pode ser substituído pelo pronome pessoal na sua forma dativa (lhe, lhes).

  • “O Pedro deu uma prenda aos pais.” / “O Pedro deu-lhes.”
  • “O Pedro telefonou ao médico de que lhe falei.” / “O Pedro telefonou-lhe.”
Oblíquo Complemento selecionado pelo verbo que pode ter uma das seguintes formas:- grupo preposicional que não é substituível pelo pronome pessoal na sua forma dativa (lhe)

  • “O João foi a Nova Iorque.”
  • “O João gosta de bolos.”

– Grupo adverbial

  • “O João mora aqui.”

– a coordenação de qualquer uma destas formas

  • “O João vive aqui ou em Lisboa?”
Agente da passiva Função sintática desempenhada por um grupo preposicional presente numa frase passiva, que corresponde ao sujeito na frase ativa com o mesmo significado.

  • “A baleia foi encontrada por um pescador.”
  • “O cão está a ser tratado pelo veterinário.”

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Predicativo

Predicativo do complemento direto Função sintática desempenhada pelo constituinte selecionado por um verbo transitivo predicativo que predica algo sobre o complemento direto

  • Achar, chamar, considerar, julgar, tratar, eleger, nomear…

Neste caso, complemento e predicativo do complemento direto formam o que se pode chamar uma predicação complexa parafraseável por uma oração completiva finita:

  • “O João considera que a Maria é uma ótima professora.”

O predicativo do complemento direto pode ser:

– um grupo nominal

  • “O João considera a Maria uma ótima professora.”

– um grupo adjetival

  • “O João acha a Maria bonita.”

Um grupo preposicional

  • “O João acha esse filme sem interesse nenhum.”
Predicativo do sujeito Função sintática desempenhada pelo constituinte que ocorre em frases com verbos copulativos que predica algo acerca do sujeito. O predicativo do sujeito pode ser:- um grupo nominal

  • “O João é professor de Matemática.”

– um grupo adjetival

  • “Os alunos estão muito interessados.”

– um grupo preposicional

  • “A Joana ficou na escola.”

– um grupo adverbial

  • “A minha casa é aqui.”
  • “O teste é amanhã.”
  • “O João está em Paris e muito doente.”

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Modificador

Função sintática desempenhada por constituintes não selecionados por nenhum elemento do grupo sintático de que fazem parte. A sua omissão, geralmente, não afeta a gramaticalidade da frase. Os modificadores podem relacionar-se com:

– frases ou orações

  • Felizmente vou ficar em casa.”
  • Matematicamente, isto é está errado.”

– constituintes verbais

  • “A Ana cantou ontem.”
  • “A Ana cantou mal.”

– constituintes nominais

  • “O rapaz gordo chegou.”
  • “O rapaz que tu conheces chegou.”
Restritivo Modificador do nome que limita, isto é, restringe a referência do nome que modifica:

  • “Os escuteiros que são simpáticos brincaram com as crianças.” (Os outros escuteiros não são simpáticos.)

Os elementos que podem funcionar como modificadores restritivos do nome podem ser:

– grupos adjetivais

  • “Adoro (flores frescas e coloridas.)”

– grupos preposicionais

  • “(O rapaz de barba) é meu aluno.”

– orações subordinadas adjetivas

  • “(Os lobos que vivem no Parque da Peneda do Gerês) estão em vias de extinção.
Nota – Na escrita, os modificadores não podem ser separados por vírgulas dos nomes a que se referem.
Apositivo Modificador que não restringe a referência do nome que modifica.

  • “Os escuteiros, que são simpáticos, brincaram com as crianças.”

Os elementos que podem funcionar como modificadores apositivos são, tipicamente:

– grupos nominais

  • “D. Afonso II, o Gordo, tem um novo monumento.”

– orações relativas explicativas

  • “Os lobos, que são mamíferos, são animais muito bonitos.”
Nota – Na escrita, os modificadores são sempre separados por vírgulas dos nomes a que se referem.

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Funções sintáticas internas ao grupo adjetival

Complemento do adjetivo Complemento selecionado por um adjetivo. O complemento do adjetivo pode ser:- um grupo preposicional oracional

  • “O João está (contente por te ter conhecido).”

– um grupo preposicional não oracional

  • “O João está (contente com a situação).”

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B.4.3. Tipos de frase

Declarativa Frase com que é feita uma asserção. Classificam-se segundo a ordem dos constituintes:- não marcada

  • “O João comeu o bolo.”

– marcada

  • “O bolo, o João comeu-o.”
Interrogativa Corresponde à formulação de uma pergunta. Podem ser:- direta

  • “Comeste a sopa.”

– indireta

  • “O João perguntou se comeste a sopa.”
Nota  – As interrogativas indiretas são subordinadas substantivas completivas.
Exclamativa Frase que corresponde à expresão de uma avaliação do falante face a determinado contexto. Podem ser:- totais (a exlamação recai sobre toda a frase)

  • “O bebé comeu a sopa!”

– parciais (a exlamação recai sobre um dos constituintes

  • “Como comeste!”
Imperativa Frase que corresponde á expressão de uma ordem ou pedido do falante.

  • “Feche a porta!”
Ativa Construção em que participam alguns verbos transitivos diretos, tansitivos diretos e indiretos ou transitivos predicativos, que se opõe às frases passivas.

  • “Os bandidos assaltaram dois bancos.”
Passiva Construção em que participam alguns verbos transitivos diretos, transitivos diretos e indiretos ou transitivos predicativos, na qual o constituinte interpretado como complemento de uma relação de predicação é realizado como sujeito, sendo o verbo conjugado numa forma composta, com o auxiliar “ser”.

  • “Foram assaltados dois bancos.”

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B.4.4. Articulação entre os constituintes e entre frases

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Frase simples Frase em que existe um único verbo principal ou copulativo.

  • “O João foi a casa.”
  • “O João está doente.”
  • “O João pode ficar em casa.”
  • “O João vai ficar doente.”
Frase complexa

Frase em que existe mais do que um verbo principal ou copulativo. As frases complexas são frases que contêm mais do que uma oração.

  • “O João disse que vai ao cinema.”
  • “O João quer ir ao cinema.”
  • “O João fica feliz, se for ao cinema.”
  • “Chegando a casa, falo contigo.”
  • “O João caíu e a Maria tropeçou.”
Oração Designação tradicional para os constituintes frásicos coordenados ou subordinados contidos em frases complexas.
Coordenação

Processo sintático que consiste na junção de duas ou mais unidades linguísticas com a mesma categoria e/ou a mesma função sintática. Os constituintes coordenados podem ser:

– frases coordenadas

  • “O João foi ao cinema e a Maria encontrou-o.”

– grupos nominais

  • “Comprei arroz e legumes.”
  • “Queres couve-flor, beterraba ou espinafres.”

–  grupos adjetivais

  • “Ela é irritante e aborrecida.”

– grupos verbais

  • “Ele tem bebido o leite e comido a papa.”

– grupos adverbiais

  • “Ele não trabalha nem bem nem depressa.”
  • “Queres ir ao cinema hoje, amanhã ou depois?”

– grupos preposicionais

  • “Fiz a viagem de carro e de avião.”
Sindética Construção de coordenadas cujos membros não iniciais são introduzidospor uma conjunção.

  • “O João foi à escola e a Ana ficou em casa.”
Assindética

Construção de coordenadas cujos membros não iniciais não são introduzidos por uma conjunção.

  • “O João foi à escola, a Ana ficou em casa.”
  • “A Eva partiu um copo, um prato…”

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Coordenação entre frases

Oração coordenada

Distingue-se, tipicamente, das orações subordinadas por não poder ser anteposta.

  • “Os pinguins não voam, mas têm asas.”
  • (Errado – Mas têm asas, os pinguins não voam.”)

 

Copulativa

Oração coordenada através de conjunção coordenativa que transmite um valor básico de adição de informação à acção com que se combina.

  • “O João foi à praia e a Maria ficou em casa.”

 

Disjuntiva

Oração coordenada através de conjunção coordenativa que exprime um valor de alternativa face ao que é expresso na oração com que se combina.

  • Ou o João foi à praia, ou a Maria ficou em casa.”

 

Adversativa

Oração coordenada que transmite uma ideia de contraste face a um pressuposto expresso ou implícito na frase ou oração com que se combina.

  • “Estou constipado, mas vou trabalhar.”

 

Conclusiva Oração coordenada que transmite uma ideia de conclusão de premissa expressa ou implícita na frase ou oração com que combina.

  • “Estou constipado, logo não vou trabalhar.”

(A conclusão decorre do facto explicitado de estar constipado e da premissa implícita segundo a qual quem está constipado não vai trabalhar.)

 

Explicativa

Oração coordenada em que se apresenta uma justificação ou explicação para que se torne legítimo o ato de fala expresso pela frase ou oração com que se combina.

  • “o João está com medo, que estou a vê-lo tremer.”

(O facto de o falante ver o João a tremer é justificado como o fator que justifica a afirmação de que o João tem medo.)

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Subordinação

Subordinante Palavra, constituinte ou frase de que depende uma oração subordinada.

  • “O meu pai prometeu que me ia comprar um carro.”

(“prometeu” é o elemento subordinante)

  • A hipótese de ires embora, agrada-me.”

(“a hipótese” é o elemento subordinante.)

  • Eu compro um carro, quando tu me deixares.”

(“eu compro um carro” é o elemento subordinante de que depende a oração subordinada “quando tu me deixares”.)

Nota – A subordinação é recursiva, podendo encontrar-se uma subordinada dentro de outra subordinada (“O João disse que a maria contou que o miguel mentiu ao Pedro.”) Nem sempre uma oração subordinada depende de uma frase completa. Em “O João disse que vai chover”, a oração subordinada depende da existência do verbo “disse”. O fragmento “o João disse” não constitui um domínio de predicação completa, pelo que não faz sentido falar-se de oração subordinante neste contexto.

Subordinada

Oração, contida numa frase complexa, que desempenha uma função sintática na frase em que se encontra. Segundo o tipo de função sintática que desempenham, as subordinadas podem ser:

– substantivas

  • “Disse-te que não queria ir.”

– adjetivas

  • “A rapariga que conheci trabalha muito bem.”

– adverbiais

  • Quando te conheci, apaixonei-me.”

 

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Oração subordinada substantiva

Oração subordinada substantiva É sujeito ou complemento de um verbo, um nome ou um adjetivo.

  • “Surpreende-me que esteja a chover.”

(a oração substantiva é sujeito de “surpreender”.)

 

  • “A decisão de invadir aquele país foi absurda.”

(a oração substantiva é complemento do nome “decisão”.)

 

  • “O Manuel quer comer o bolo.”

(a oração substantiva é complemento do verbo “querer”.)

 

  • “Esta porta é fácil de abrir.”

(a oração substantiva é complemento do adjetivo “fácil”.)

 

Oração subordinada substantiva completiva

Oração subordinada substantiva que é sujeito ou complemento de um verbo, nome ou adjetivo, podendo ser introduzidas pelas conjunções subordinativas completivas que, se, para.

 

  • “O Luís disse que desejava cantar.”
  • “A mãe perguntou se queremos jantar lá.”
  • “A professora pediu para sair mais tarde.”
  • “O João afirmou adorar música chilena.”

 

Nota – As subordinadas substantivas completivas podem ser finitas ou não finitas, consoante o verbo se encontre numa forma finita ou não finita.
Oração subordinada substantiva relativa É introduzida por pronomes relativos: quem, o que, como, quando. Podem ser finitas ou não finitas.

 

  • Quem vai ao mar perde o lugar.
  • “O Luís procura quem o ajude na escola.”
  • “O Pedro pede dinheiro a quem tiver.”
  • “O avô precisa de quem cuide dele.”
  • “Ela compra roupa onde calha.”

 

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One response to “– Definições e exemplos (II)

  1. angel

    Outubro 21, 2012 at 10:10 am

    Muito Bom 🙂

     

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