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– Definições e exemplos (I)

A. Língua, comunidade linguística, variação e mudança

Comunidade linguística Conjunto de falantes que utilizam a mesma língua (que não é obrigatoriamente a língua materna de todos).
Competência linguística Capacidade intuitiva que o falante tem de usar a sua língua materna, decorrente do processo natural de aquisição da linguagem.

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Variação Propriedade que as língua têm de se diferenciarem em função da geografia, da sociedade e do tempo, dando origem a variantes e variedades linguísticas
Variedades Sociais Variedades de uma língua usadas por falantes que pertencem à mesma classe.
Situacionais Capacidade de o falante para adaptar o estilo de linguagem à situação de comunicação que enfrenta.
Históricas Contraste entre a gramática antiga e uma gramática posterior dessa mesma língua.

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Língua padrão

Variedade social de uma língua que foi legitimada historicamente enquanto meio de comunicação entre os falantes das classes média e alta de uma comunidade linguística.
Contacto Situação de coexistência de duas ou mais línguas numa mesma região ou numa mesma comunidade linguística.
Substrato Língua indígena desaparecida como resultado de uma língua invasora. Conjunto de vestígios linguísticos deixados por essa língua naquela que se lhe sobrepôs.Ex – substato pré-romano na Península Ibérica
Superstrato Língua de invasores que desaparece no contacto com uma língua indígena. Conjunto de vestígios linguísticos deixados por essa língua na do território dominado.Ex – língua germânicas, dos suevos e visigodos na Península Ibérica
Adstrato Língua que sobrevive ao lado daquelas com as quais estabelece um contacto linguístico motivado por uma invasão territorial.

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História do Português

Antigo Fase da língua portuguesa falada durante a Idade Média (séc. XII – XV)
Clássico Fase do português europeu falado durante a Idade Moderna (séc. XVI – XVIII)
Contemporâneo Fase do português europeu falado a partir do século XIX

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Etimologia Palavra da qual deriva diacronicamente outra palavra
Divergentes Apresentam forma diferente apesar de terem o mesmo étimo.

  • “mácula” <“mancha” e “mácula”

 

Convergentes Apresentam a mesma forma, apesar de terem étimos diferentes.

  • “são” e “são”> “santo”

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B. Linguística descritiva

Fonética Ciência que estuda as características físicas, articulatórias, acústicas e perceptivas da produção, propagação e percepção dos sons da fala.
Fonologia Disciplina da linguística que estuda os sistemas sonoros das línguas

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Semivogal ou glide Som produzido com características articulatórias e acústicas semelhantes às das vogais e que ocorre junto a uma vogal formando com ela um ditongo
Ditongo Sequência no interior de uma sílaba formada por uma vogal e semivogal
Crescente(vogal e semivogal)

  • “pai”
Decrescente  (semivogal e vogal)

  • “quatro”

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Acento Grau de proeminência de uma sílaba numa determinada sequência fonética
Palavra aguda ou oxítona O acento recai na última sílaba

  • “peru
Palavra grave ou paroxítona O acento recai na penúltima sílaba

  • “panela”
Palavra esdrúxula ou proparoxítona O acento recai na antepenúltima sílaba

  • “linguística”

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Palavra complexa Palavra formada por derivação ou por composição
Radical Constituinte morfológico que contém o significado e exclui os afixos flexionais:  “casa”
Afixo Constituinte que ocorre obrigatoriamente associado a uma forma base
Prefixo

  • desinteresse”
Interfixo

  • “psicopata”; cafeteira”
Sufixo

  • “cantamos”; “cantor

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Verbo

Defetivo

Configuração incompleta, uma vez que não flexiona em todas as formas

  • “florescer”
Impessoal Flexiona exclusivamente no infinitivo e na 3ª pessoa do singular

  • “chover”; “trovejar”
Unipessoal Flexiona apenas no infinitivo e na 3º pessoa do singular e do plural

  • “miar”; “ganir”; “ladraram”
Forma supletiva Forma flexionada a partir de outros radicais

  • “sou”; “és”; “fui”

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Derivação Processo morfológico que consiste na associação de um afixo a uma forma base
Prefixação Associação de um prefixo a uma forma base

  • infeliz”
Sufixação Associação de um sufixo a uma forma base

  • “felizmente
Parassíntese Associação simultânea de um prefixo e um sufixo a uma forma base

Processos que não envolvem adição de constituintes morfológicos

Conversão ou derivação imprópria Integração de uma dada unidade lexical numa nova dada classe de palavras

  • “olhar” (nome)
Derivação não afixal Processo de formação de palavras que gera nomes deverbiais, acrescentando marcas de flexão nominal de flexão a um radical verbal

  • troc.>”troca”;” troco

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Composição

Processo morfológico de composição de palavras que recorre à associação de duas ou mais palavras de base

Composição morfológica Associa um radical a outro radical ou uma ou mais palavras

  • “agri”+”cultura”= “agricultura”

“luso”+”descendente”=”lusodescendente”

Composição morfossintática Processo que associa duas ou mais palavras. A estrutura destes compostos depende da relação sintática e semântica entre os seus membros, o que tem consequência para a forma como são flexionadas em número

  • “guarda-sol”; “surdo-mudo”; “via láctea”

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Locução

Sequência de palavras que funciona sintática e semanticamente como uma só.

Adverbiais
  • “em breve”; com certeza”
Prepositivas
  • “em cima de”; “debaixo de”
Conjuncionais
  • “assim que”; “logo que”; “ainda que”

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Classes dos nomes

Próprio
  • “João”
Comum Nome que não designa necessariamente um referente único pelo que não é completamente determinado.

  • “Aquela região é bonita.”
  • “O rapaz ganhou um prémio.”
Nome comum contável Nome comum que se aplica a objetos ou referentes que podem ser diferenciados como partes singulares ou partes plurais de um conjunto.

  • “De entre os alunos da turma, o aluno nº3 teve a melhor nota.”
Nome coletivo
  • “fauna”; “flora”
Nome não contável
  • “A farinha é um ingrediente para bolos.”

 *

Verbo

Intransitivo Verbo principal que não seleciona complementos.

  • “A Ana desmaiou.” (Errado: “A Ana desmaiou a mãe.”)
Transitivo direto Verbo principal que seleciona complemento direto.

  • “A Ana fechou a porta.”
  • “A Ana afirmou que tinham fechado a porta.”
Transitivo indireto Verbo principal que seleciona um complemento direto ou oblíquo.

  • “A prenda agradou à Ana.”
  •  “A prenda agradou-lhe.”
Transitivo direto e indireto Verbo principal que seleciona dois complementos, direto e indireto.

  • “A Ana deu o livro à irmã.”
  • “A Ana deu-lhe o livro.”
Transitivo predicativo Verbo principal que seleciona um sujeito, um complemento direto e um predicativo do complemento direto.

  • “A Ana acha o Pedro feio.”
  • “A Ana acha-o feio.”
Nota: Os verbos transitivos-predicativos conseguem distinguir-se dos verbos transitivos diretos através da substituição do complemento direto por um pronome. Assim, observa-se que, em frases como “o Pedro leu um livro horrível”/”o Pedro leu-o”/”*o Pedro leu-o horrível”, não há predicativo do complemento direto (não havendo, consequentemente, verbo transitivo-predicativo), enquanto em frases como “o Pedro considera o livro horrível”/”o Pedro considera-o horrível” a expressão “horrível” não faz parte do complemento direto, funcionando como predicativo do complemento direto.
Auxiliar Precede um verbo principal ou um verbo copulativo e não determina quais os complementos que ocorrem na frase.
  • Frases passivas
  • Informação temporal
  • Aspetual
  • Modal
  • “A Ana tem brincado bastante.”
  • “A Ana vai brincar no jardim.”
  • “A Ana está a brincar no jardim.”
  • “A Ana deverá ir ao médico.”
Copulativo Verbo que ocorre numa frase em que existe um constituinte com a função sintática de sujeito com a função sintática de predicativo do sujeito.

  • “A Ana ficou calada.”

*

Adjetivo

Relacional Deriva da uma base nominal e que, tipicamente, instancia uma relação de agente ou posse relativamente ao nome. Estes adjetivos não ocorrem em posição pré-nominal nem variam em grau.

  • “invasão americana
  • “amor maternal
Qualificativo Exprime a qualidade, isto é, um atributo do nome. Uma subclasse ocorre à direita e à esquerda do nome, correspondendo esta ordem a interpretações diferentes. Alguns têm posição pós-nominal obrigatória.

  • “um homem pobre” / “um pobre homem”
  • “Os olhos azuis são bonitos.” (“os azuis olhos”X)
Numeral Pertence à classe tradicional dos numerais ordinais.

  • “O segundo filho é sempre mais calmo.”

*

Advérbio

De predicado
  • Com valor locativo: “Os rapazes dormem ali.”
  • Com valor temporal: “Os rapazes chegaram recentemente.”
  • Com valor de modo: Os rapazes cantaram alegremente.”
De frase
  • Com valor de orientação para o falante: “Os rapazes dormem felizmente.”
  • Com valor de orientação para o domínio: “Matematicamente, este facto é impossível.”
Nota: O mesmo item adverbial pode pertencer a duas subclasses diferentes.

  • “Ele começou a falar naturalmente.” (advérbio de predicado)
  • Naturalmente, ele começou a falar.” (=obviamente)
Conectivo Estabelece um nexo entre frases ou constituintes:

  • de consequência: “A Ana caíu, consequentemente partiu uma perna.”
  • de contraste: “Está frio. O João contudo vestiu uns calções”(1)
  • de ordenação: “Primeiro batem-se os ovos com açúcar, seguidamente deita-se o leite e farinha e finalmente leva-se ao forno.”
Nota: (1) distingue-se da conjunção com valor idêntico porque pode ocorrer entre o sujeito e o predicado.
De negação Contribui para reverter o valor de verdade de uma frase afirmativa.

  • de negação frásica: “O João não comprou flores à Ana.”
  • de negação de constituinte: “O João comprou à Ana ontem não flores mas livros.”
De afirmação Utilizado em respostas a interrogativas totais:

  • “Sim.”

Ou como modificador de um constituinte:

  • “A Ana não comprou livros, mas sim flores.”
De quantidade e grau Contribui para a informação sobre o grau ou quantidade.

  • “Os rapazes comeram muito.”
  • “Estou demasiado cansada.”
De inclusão e exclusão Realça o contituinte que modifica contribuindo com informação.

  • a Maria faltou à aula.”
Interrogativo Identifica o constituinte interogativo numa construção interrogativa e é insubstituível por um grupo adverbial ou preposicional.

  • Onde moras?”
  • Quando chegaste?”
Relativo Identifica o constituinte relativizado numa oração relativa e é insubstituível por um grupo adverbial ou preposicional.

  • “A rua onde moro é bonita.”

*

Interjeição

Palavra invariável que pertence a uma classe aberta. O valor de cada interjeição depende do contexto de enunciação e corresponde a uma atitude do falante ou enunciador.

  • “Bravo!” (aplauso)
  • “Oxalá!” (desejo)
  • “Irra!” (impaciência)
  • “Pssst!” (invocação)

*

Classe fechada de palavras

Pronome Permite variação em género e número, noutros em pessoa, género e número e noutros permite a variação em caso.

  • Ele vai a casa.”
  • Este é o melhor.”
  • “O meu é o melhor.”
Nota: “O meu carro é o melhor.”: a co-ocorrência só é possível porque “meu” é um determinante e não um pronome.

Classes dos pronomes

Pessoal Admite variação em caso, pessoa, género e númeo e refere-se, geralmente, aos participantes do discurso. Tem formas tónicas e átonas.

  • Tónico: eu, tu, você, ele, ela, nós, vós, vocês, eles, elas, mim, ti, si.
  • Átono: me, te, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes, se.
Nota: contração do pronome pessoal tónico com a preposição “com”: comigo, contigo…; contração de dois pronomes pessoais: nos, lhe…
Demonstrativo Admite a variação em género e número e tem valor deítico ou anafórico, estabelecendo a sua referência tendo em conta a sua relação de proximidade ou distância, por exemplo, um participante do discurso ou um antecedente textual.

  • Forma tónica: este, isto, esse, aquele, aquilo
  • Forma átona: o (“Ele disse-o.” = isso)
Possessivo Idem em relação ao pronome demonstrativo. São geralmente precedidos de artigo definido.

  • Meu, teu, seu, nosso, vossos…
Nota: Na frase seguinte, “teus” é um pronome possessivo: “Os filhos da Maria estão ótimos. E os teus?”
Relativo Ocorre no início das orações relativas.

  • O qual, que, quem
  • “Encontrei o livro de que me falaste.”
  • “Conheço quem te pode ajudar.”
Nota: Nem todas as palavras que introduzem orações relativas pertencem à classe dos pronomes, como é o caso dos advérbios relativos “onde” e “como” e dos quantificadores relativos “quanto” e do determinante relativo “cujo”.
Interrogativo Identifica o constituinte interrogado em frases interrogativas parciais.

  • Quem encontraste?”
  • “Fizeste o quê?”
  • Quantas encontraste?”

 *

Determinante Contribui para a construção de um valor referencial. São subclasses do determinante:

  • Artigo definido – “O rapaz comeu o bolo.”
  • Demonstrativo – “Este meu aluno chega sempre tarde.”
  • Possessivo – “O meu carro é o melhor.”
  • Indefinido – “Certos professores anam contentes.”
  • Interrogativo – “Que livros compraste?”
  • Relativo – “Os alunos cujos textos foram premiados ganharam uma viagem.”

*

Artigo

Indica o grau de definitude ou especificidade de nome que precede.

  • Definidoso, a, os ,as
  • Indefinidosum, uma, uns, umas

 

*

Quantificador Palavra ou locução que contribui para a construção de valor referencial de um nome com que se combina e cujo significado expressa informação.

  • A maioria dos livos foi vendida.”
  • “Comprei um litro de leite.”
Universal Induz uma leitura do grupo nominal relativa a todos os elementosde um conjunto.

  • Todo o homem é mortal.”
  • Qualquer animal selvagem procura comida.”
  • Ambos faltaram.”
Existencial Utilizado para asserir a existência da entidade designada pelo nome com que se combina sem remeter para a totalidade dos elementos de um conjunto ou para expressar uma quantidade não precisa.

  • Alguns alunos faltaram ao teste.”
  • Vários alunos faltaram ao teste.”
  • Muitos alunos faltaram ao teste.”
Numeral Expressa uma quantidade numérica inteira precisa.

  • Cardinal – “Comprei três livros.”
  • Multiplicativo – “Comprei o triplo dos livros.”
  • Fracionário – “Comprei metade dos livros.”
  • “um litro de”; “uma porção de”
Interrogativo Identifica o constituinte interrogado sendo substituído na resposta por um quantificador.

  • Quantos livros leste?” / “Muitos”; “Três”; “Alguns”

*

Preposição

Palavra invariável que pode ter como complemento quer orações, quer grupos nominais, quer advérbios, obrigando qualquer pronome contido num grupo nominal (que ocorra como seu complemento) a apresentar caso oblíquo.

  • “Ele quer jogar contra mim.” (Errado: “contra eu”)
  • a,  ante, após, até, com contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, segundo, sem, sob, sobre, trás.

 

*

Conjunção Palavra invariável que introduz orações e constituintes coordenados e orações subordinadas completivas e adverbiais.

  • “Tu foste para casa e eu fiquei na escola.”
  • “O João e a Maria foam para casa.”
  • “O Pedro disse que foi para casa.”
  • Quando chegaste, fui-me embora.”

 

Coordenativa Intoduz um constituinte coordenado ou uma oração coordenada.

  • Copulativa – “O João saíu e eu fiquei em casa.”
  • Disjuntiva – Vais sair ou ficar em casa.”
  • Conclusiva – “Penso, logo existo.”
  • Adversativa – “É natal, mas estou triste.”
  • Explicativa – “O José tem febre, pois constipou-se.”

 

Subordinativa Introduz uma oração completiva ou adverbial. Muitas conjunções subordinativas que introduzem orações subordinadas adverbiais são locuções: “ainda que”, “sempre que”

  • Completivas – “Diz-se que vai chover.” / “Perguntei se estás doente.”
  • Causais – “O José tem febre, porque se constipou.”
  • Finais – “O José ficou em casa para ver o jogo.”
  • Temporais – “O José constipou-se, quando apanhou chuva.”
  • Concessivas – “Embora esteja doente, vou trabalhar.”
  • Condicional – “Se chover, fico em casa.”
  • Comparativas – “Falo mais do que trabalho.”
  • Consecutivas – “Ele é tão alto que bate com a cabeça na porta.”

 

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