ARTIGO DE APRECIAÇÃO CRÍTICA 

Tempo de exceção

(Luísa Soares  de Oliveira)

“Em Sines, duas exposições celebram a conjunção entre arte e música

  • Panis et Circensis (de André Cepeda, António Júlio Duarte, Carlos Lobo, Patrícia Almeida)
  • TNSC – A Prospectus Archive (de Paulo Catrica)

Nos anos mais recentes, durante os últimos dias de Julho, o Festival Músicas do Mundo transforma a pacata cidade de Sines num pólo de atração para gentes de todo o país que acorrerem para ouvir artistas e músicos fora do habitual em ambientes semelhantes de verão. Ao mesmo tempo, O Centro Cultural Emmerico Nunes (CCEN), em parceria com o Centro de Artes de Sines, mostra a sua exposição mais importante do ano, desta vez submetida ao tema da “Música na Arte”, e contando com a colaboração da produção da Fundação EDP, para o CCEN, a da dupla Fazenda/Valladares no outro espaço. A ideia inicial consistia em juntar mais outra exposição – “Ópera”, de Augusto Alves da Silva -, que por falta de condições técnicas no CAS acabou por ser cancelada. Contudo, a iniciativa, incidindo unicamente na fotografia, é de qualidade e merece a visita.

No espaço mais antigo, o CCEN, mostra-se uma série de Paulo Catrica intitulada “TNSC – A Prospectus Archive”. São imagens realizadas rodas elas no Teatro Nacional de São Carlos, onde o fotógrafo procurou sobretudo espaços não acessíveis ao público que acusam os sinais de passagem do tempo. Escritórios, armazéns, bastidores, mas também corredores, acessos, e por fim o “foyer” e a sala de espectáculos, sempre vazios, dão-nos uma visão do mítico teatro, construído na época áurea da ópera segundo modelo italiano, que reforça a ideia do espaço dedicado ao espectáculo clássico que se mantém fora das contingências do tempo. e onde, apesar disso, o tempo persiste em passar – no pó, nos sinais de degradação, nos caixotes de adereços que se acumulam em salas fechadas, nos papeis amontoados em cima de uma secretária.

No CAS, “Panis et Circensis“, mostra o trabalho de quatro fotógrafos centrados sobretudo na questão oposta: os sinais do tempo nos momentos de exceção convocados por festivais, concertos, festas, e sobretudo a presença quase sistemática de jovens, ou circunstâncias relacionadas com a juventude, nas imagens mostradas. a exceção a este tema está na obra de André Cepeda, que num vídeo e numa fotografia de grande formato, traduz uma percepção mais intimista do espaço exterior, fundada na sua dupla atividade de músico de e fotógrafo.

Com frequência, a designação que parece adaptar-se bem às imagens dos jovens que vemos nestas fotografias é a de tribos urbanas, por analogia com os sentimentos de pertença e a justificação identitária que a tribo, considerada antropologicamente, convoca.

Este é o caso dos grupos e actividades que Patrícia Almeida documentou, sem esquecer os “graffiti” despretensiosos que se espalham pelo chão do espaço expositivo. Carlos Lobo realizou uma notável apropriação de imagens do Maio de 68 francês, que combina com retratos de costas de espectadores de um concerto nocturno. António Júlio Duarte, finalmente, acompanhou uma digressão pelos EUA da banda Humanization 4tet, como fotógrafo e condutor, e realizou depois um notável portefólio dessa viagem. Como é habitual no seu estilo, há um destaque dado à técnica (como potenciadora da imagem fotográfica, e como essencial na sociedade contemporânea) que é único entre os seus colegas de geração.

A teorização sobre as causas da importância que o rock e o conceito de “teenager” adquiriram a partir do pós-guerra é vasta. no caso das relações entre arte e música, é de destacar um texto de Dan Graham, em que relaciona ambos os elementos com razões políticas e económicas – sobretudo com a necessidade de criação de um grupo etário economicamente improdutivo, mas apto a consumir. Quando Carlos Lobo estabelece um paralelismo entre os jovens que atiravam pedras em Paris em 68 – uma manifestação que foi também o concretizar de um desejo fortíssimo de mudança da parte dos jovens universitários – está a colocar o dedo na ferida, e simultaneamente a levar-nos a refletir sobre as causas mais profundas deste fenómeno.”

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Texto que expõe uma opinião fundamentada – favorável ou desfavorável – a propósito de um determinado objecto. Por exemplo, faz-se a crítica de um livro, de um filme, de um jogo, de uma peça de teatro, de um anúncio, de um desfile de moda, de um quadro, de um jornal, de um programa. É uma modalidade de texto expositivo-argumentativo.

Os pontos que se enumeram a seguir apresentam, em síntese, os aspetos mais importantes a ter em conta num texto de apreciação crítica, em particular o título, que deve ser sugestivo.

 

Apresentação

 

 

Uma crítica integra sempre uma breve apresentação do objeto de apreciação.

 

 Opinião

A opinião pessoal deve ser formulada de modo claro e impressivo e justificada com argumentos objetivos, decorrente da análise do objecto criticado, considerando-o nas suas várias componentes. Por exemplo, se se tratar de um filme, deve atender-se ao enredo, às personagens, à qualidade de representação, da imagem, da realização…, selecionando, porém, de entre os aspectos observados, aqueles que sejam significativos e pertinentes para a defesa da opinião expressa.

 

 

 

 

 Estruturação

 

Introdução

Deve ser breve e de modo a suscitar o interesse do leitor, colocando, por exemplo, questões pertinentes, sem lhes responder.

 

 

Desenvolvimento

Entre dois e quatro parágrafos, apresentando e desenvolvendo a opinião pessoal e respetivos argumentos, sempre apoiados em referências e citações precisas.

 

 

 Conclusão

Deve ser breve, clara, sintetizando, de forma expressiva e original, os argumentos mais importantes; deve ser articulada com a introdução, respondendo, por exemplo, às questões nela colocadas; deve expressar a consciência de se tratar de uma opinião, logo, uma de entre as várias abordagens possíveis.

 

 

 Linguagem

Deve ser valorativa ou depreciativa conforme se queira exprimir agrado ou desagrado; deve ser diversificada, evitando fórmulas gastas e lugares-comuns, sem deixar de ser também clara e rigorosa. Deve adoptar-se um tom de acordo com as intenções da crítica (por exemplo, irónico, sério, contundente, entusiasta…) consentâneas com o objetivo visado – valorizar ou desvalorizar – visando atingir a eficácia persuasiva, isto é, influenciar o leitor.

 

 

Revisões

Deve prestar-se particular atenção: à coerência do que é afirmado e argumentado; à coesão, nomeadamente a nível da organização textual e da adequação dos conetores utilizados; às eventuais necessidades de reforço da expressividade; à pontuação, ortografia e apresentação gráfica.

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  1. Camila diz:

    valeu se nao fosse essas dicas eu ficaria sem nota

  2. Lídia diz:

    Muito bom!
    Objetivo, preciso, necessário e aplicável por pessoas de qualquer nível cultural.

  3. kina diz:

    valeu mesmo…

  4. keke diz:

    adorei muito

  5. Sónia diz:

    Muito obrigada pela preciosa ajuda. Nestes tempos encontrar uma pérola como a colega é como encontrar uma agulha num palheiro. Os meus sinceros agradecimentos pela demonstração de solidariedade e de altruísmo ao partilhar conhecimentos e trabalho.

  6. Obrigada pelo seu comentário! Grão a grão… e em dois anos já tenho um celeiro de materiais, visitas e comentários amáveis como o seu. Bem haja! =)))

  7. Renato Lopes diz:

    Este post no seu blog está extremamente magnífico e adorava tê-la como minha professora!!!

  8. nao entendi nada , podia ter feito melhor -.-

  9. Não vendo peixe, ensino a pescar. =))

  10. Fernanda Botelho diz:

    Magnífico trabalho. Obrigada por partilhar :)

  11. Madalena Peres diz:

    Muito bom! Obrigada!

  12. Paula Bernardino diz:

    Obrigada pela ajuda!!!!

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