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“Durante os dias da Abrilada estava ele (Afonso da Maia) nas corridas de Epsom, no alto de uma sege de posta, com um grande nariz postiço, dando hurras medonhos” (Os Maias, p.15, Ed. Livros do Brasil)
* viatura de dois lugares usada para viagens mais longas que as feitas no tamanco; mais simplesmente ornamentada do que este, detinha ainda pinturas em apaineladas flores. Internamente, eram forradas de veludo, sendo os encostos em marroquim. Havia-as de quatro e duas rodas, sendo as segundas protegidas da chuva e dos olhares mais curiosos por um oleado que se fechava à frente; tinham também a vantagem de poder ser conduzidas por quem as utilizava.
“E com efeito a velha traquitana de rodas amarelas acabava de ser uma alcova de amor, perfumada de verbena, durante as duas horas que Carlos rolava dentro dela, pela estrada de Queluz, com a senhora condessa de Gouvarinho.” (Os Maias, p.300, Ed. Livros do Brasil)
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“Daí a dias, Afonso da Maia viu enfim Maria Monforte. Tinha jantado na quinta do Sequeira ao pé de Queluz, e tomavam ambos café no mirante, quando entrou pelo caminho estreito que seguia o muro a caleche azul com os cavalos cobertos de rede.” (Os Maias, p.29, Ed. Livros do Brasil)
* do francês calèche. Aparecido no século XVIII, este tipo de viatura evoluiu bastante, apresentando vários desenhos durante os oitocentos, século em que viveu a sua época áurea. Descoberto, com capota móvel e com lugares para quatro pessoas no seu interior, tinha caixa em forma de barco; o século XIX apresenta já um modelo fechado, que permitia a sua utilização durante o inverno.
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“Com efeito, apenas desembarcou, (Pedro) correu num trem a Benfica. Dois dias antes o pai partira para Santa Olávia. Fez-se então entre o pai e o filho uma grande separação.” (Os Maias, p.34, Ed. Livros do Brasil)
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“E no dog-cart, com aquela linda égua, a ’ Tunante’ ou no faetonte com que maravilhava Lisboa, Carlos lá partia em grande estilo para a Baixa, para o ‘trabalho’.” (Os Maias, p.102, Ed. Livros do Brasil)
* também conhecido por faeton. Na mitologia grega é o condutor do carro do sol. Veículo aberto, de caixa alta, com dois bancos paralelos.
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“Depois falaram das viagens de Carlos, do Ramalhete, da demora do Ega em Lisboa… Ega vinha para sempre. Tinha dito do alto da diligência, às várzeas de Celorico, o adeus de eternidade.” (Os Maias, p.104, Ed. Livros do Brasil)
* do latim diligentia; viatura de viagem, para uso privado, vê mais tarde o seu nome designar os veículos de serviço público (=mala-posta).
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” – Iam pelo Chiado abaixo; anteontem, às duas horas… Estou convencido que iam para Sintra. Levavam uma maleta no landau, e atrás ia uma criada num coupé com uma mala maior… Aquilo cheirava a ida a Sintra. E a mulher é divina!” (Os Maias, p. 214, Ed. Livros do Brasil)
* originário da cidade de Landau, onde este tipo de viatura parece ter sido utilizado pela primeira vez. Aberto, possuía duas capotas e quatro lugares. Podia ser puxado por uma ou duas parelhas de cavalos. Foi moda em França apenas a partir de 1850, mantendo o seu prestígio até cerca de 1939.
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” – Iam pelo Chiado abaixo; anteontem, às duas horas… Estou convencido que iam para Sintra. Levavam uma maleta no landau, e atrás ia uma criada num coupé com uma mala maior… Aquilo cheirava a ida a Sintra. E a mulher é divina!” (Os Maias, p. 214, Ed. Livros do Brasil)
* originalmente, diz-de de todos os veículos, carruagem ou berlinda com caixa sem os dois lugares da frente. Muito usado na cidade, o coupé é um carro mais pequeno e ligeiro.
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“Mas a grande ‘topada sentimental de Carlos’, como disse o Ega, foi quando ele, ao fim de umas férias, trouxe de Lisboa uma soberba rapariga espanhola, e a instalou numa casa ao pé de Celas. Chamava-se Encarnacion. Carlos alugou-lhe ao mês uma vitória com um cavalo branco e Encarnacion fanatizou Coimbra como uma aparição de uma Dama das Camélias.” (Os Maias, p.94, Ed. Livros do Brasil)
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“Na manhã seguinte, às oito horas pontualmente, Carlos parava o break na Rua das Flores, diante do conhecido portão da casa do Cruges. (…) A criada dissera que o sr. Cruges morava agora na Rua de S. Francisco, quatro portas adiante do Grémio. Durante um momento, Carlos, desesperado, pensou em partir só para Sintra.” (Os Maias, p.218, Ed. Livros do Brasil)
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“De novo a lanterna deslizou e fugiu. Então, para apanhar o americano, os dois amigos (Carlos e Ega) romperam a correr desesperadamente pela Rampa de Santos e pelo Aterro, sob a primeira claridade do luar que subia.” (Os Maias, p.716, Ed. Livros do Brasil)
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“O seu único desejo era que a mamã vivesse com eles sossegadamente. Diante das suas súplicas, ela ficava pensativa, dizia: «Tens razão, veremos!» Depois remergulhava no torvelinho de Paris, donde ressurgia uma manhã, num fiacre, estremunhada e aflita, com uma rica peliça sobre uma velha saia, a pedir-lhe cem francos… Por fim nascera Rosa.”
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Rampa da saída da estação dos Caminhos de Ferro do Rossio para a Calçada do Carmo.
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A Soma dos Dias
Hotel Lawrence
Comentários
Sou aluna da Escola Profissional da Batalha e por sugestão da minha professora de Português visitei este seu site a propósito de “Os Maias” e gostei muito do que vi.
Não fazia ideia da imagem destes transportes.
Inês Gomes
olá!
Sou aluna da Escola Profissional da Batalha. Gostei muito de ver a “traquitana” e outros veículos mencionados n’Os Maias.
Este site aprofundou os meus conhecimentos sobre aspectos sociais do século XIX.
Mariana Silva
Olá!
Sou aluna da Escola Profissional de Artes e Oficios Tradicionais da Batalha.
Gostei especialmente do “break”.
O seu site está muito interessante !
Adriana
Obrigada Inês, Mariana e Adriana pela vossa visita! O vosso feedback é importante. Desejo que este espaço continue a ser útil para o próximo ano lectivo que, como indicado no post, será um apoio para os conteúdos do 12ºAno. Votos de bom estudo!
Olá, sou da Escola Secundária Rainha D.Amélia.
Posso dizer que o seu site está muito bom.
Enquanto estive a ler Os Maias, verifiquei que ao longo da história se apresentavam vários tipos de transporte, como tal, fiz uma lista deles. Mas não fazia a mínima ideia de que entravam muitos mais como alguns que estão aqui. Por outro lado, nem se quer sabia como eram a maioria deles pelo que fiz uma pesquisa na net mas nenhum dos sites que pesquisei estão tão completos como este.
Obrigada pelo comentário. Porém, há ainda algumas páginas que merecem mais informação… Estarei sempre à disposição quer neste blog quer em teresamarques2010.wordpress.com dedicado aos conteúdos de 12ºano. Votos de muito sucesso nos estudos.
Cara Teresa
Pedro da Maia nunca poderia ter apanhado um electrico para benfica, nem sequer um comboio, pois na altura da acção estes ainda não existiam.
O Trem que Pedro da Maia apanhou era na realidade um tipo de carruagem puxada por cavalos.
Este tipo de carruagem ainda hoje existe
http://figueiradigital.ficheirospt.com/municipe/taxas/REGULAMENTO_MUNICIPAL_TRENS_COM_CAVALOS.pdf
Efectivamente, Luís Bonifácio, só em 28 de Outubro de 1856 é que foi inaugurada a primeira linha ferroviária em Portugal. Às 10H00 partiu da Estação de Santa Apolónia o comboio real tracionado pelas locomotivas Santarém e Coimbra (Egerstorff, 1855) com o rei D. Pedro V a bordo. Fez o percurso de Lisboa ao Carregado, 36,5 km, em cerca de 40 minutos.
A página intitula-se precisamente “Transportes do século XIX” pelo que, nesse aspecto, não há nenhum anacronismo. Porém, a citação d’Os Maias é uma fragilidade por mim aceite na intenção de ilustrar a referência ao nome do transporte. “Trem” é um hiperónimo que contempla diferentes modalidades de transportes.
Decerto que a sege dos dias da Abrilada de Afonso da Maia também terá sido muito diferente…
A propósito, seria possível identificar-me uma tipóia? Ainda me falta esse modelo…
ola eu nsou a Andreia e sou aluna do 6º ano e estava a fazer um trabalho sobre isto . Continue !!!
Visitei este blog no âmbito da disciplina de português e achei-o muito util.
Obrigado
Olá eu sou da Escola Secundária Padre António Vieira e visitei este blog no âmbito da disciplina de português e devo dizer que foi a melhor ajuda que eu poderia ter encontrado. Quero desde já agradecer a quem criou este blog e felicitá-lo(a) pelo seu trabalho que está magnífico.
Obrigada, Pedro! Continuação de um bom estudo!No próximo ano pode consultar o blog de 12º: http://teresamarques2010.wordpress.com