- Simbologia(s)

Cipreste

“Não era decerto o jardim de Santa Olávia: mas tinha o ar simpático com os seus girassóis perfilados ao pé dos degraus do terraço, o cipreste e o cedro envelhecendo juntos como dois amigos tristes” (Os Maias, p.10, Ed. Livros do Brasil)
Cedro

Cedro

“Ega sentara-se também no parapeito, ambos se esqueceram num silêncio. Em baixo, o jardim, bem areado, limpo e frio na sua nudez de Inverno, tinha a melancolia de um retiro esquecido, que já ninguém ama: (…) o cipreste e o cedro envelheciam juntos como dois amigos num ermo (Os Maias, p.710, Ed. Livros do Brasil)
Tulipa
Tulipa

“Nunca Maria (Monforte) fora tão formosa. A maternidade dera-lhe um esplendor mais copioso; e enchia verdadeiramente, dava luz àquelas altas salas de Arroios, com a sua radiante figura de Juno loira, os diamantes das tranças, o ebúrneo e o lácteo do colo nu, e o rumor das grandes sedas. Com razão, querendo ter, à maneira das damas da Renascença, uma flor que a simbolizasse, escolhera a tulipa real, opulenta e ardente.” (Os Maias, p.36, Ed. Livros do Brasil)

Jasmim
Jasmim

“Craft e Carlos afastaram-se, ela (Maria Eduarda) passou diante deles, com um passo soberano de deusa, maravilhosamente bem feita, deixando atrás de si como uma claridade, um reflexo de cabelos de oiro, e um aroma no ar.” (Os Maias, p.157, Ed. Livros do Brasil)

“Carlos sentiu bater o coração. Um perfume indefinido e forte de jasmim, de marechala, de ‘tanglewood’ elevava-se de todas aquelas coisas íntimas, passava-lhe pela face como um bafo suave de carícia.” (Os Maias, p.261, Ed. Livros do Brasil)

Girassol
Girassol

“O nome do Ramalhete provinha decerto de um revestimento quadrado de azulejos fazendo painel no lugar heráldico do escudo de armas, que nunca chegara a ser colocado, e representando um grande ramo de girassóis atado por uma fita onde se distinguiam letras e números de uma data.” (Os Maias, p.5, Ed. Livros do Brasil)

Verbena
Verbena

“Os olhos (condessa de Gouvarinho) brilhavam-lhe, diziam mil coisas; em certos momentos, o cabelo, crespamente ondeado, tomava tons de oiro vermelho: e em torno dela errava, no calor do gás e da enchente, um aroma exagerado de verbena.” (Os Maias, p.143, Ed. Livros do Brasil)

Lírio
Lírio

“Ao pé da porta havia um piano antigo de cauda, coberto com um pano alvadio; sobre uma estante ao lado, cheia de partituras, de músicas, de jornais ilustrados, pousava um vaso do Japão onde murchavam três belos lírios brancos.” (Os Maias, p.347, Ed. Livros do Brasil)

Camélia
Camélia

“Depois, daí a duas semanas, o Alencar, entrando em S. Carlos ao fim do primeiro acto do ‘Barbeiro’, ficou assombrado ao ver Pedro da Maia instalado na frisa do Monforte, à frente, ao lado de Maria, com uma camélia escarlate na casaca – igual às de um ramo pousado no rebordo de veludo.” (Os Maias, p.26, Ed. Livros do Brasil)

Gato Angorá
Gato Angorá

“Este pesado e enorme angorá, branco com malhas louras era agora (…) companheiro de Afonso. Tinha nascido em Santa Olávia, e recebera o nome de ‘Bonifácio’: depois, ao chegar à idade do amor e da caça, fora-lhe dado o apelido mais cavalheiresco de ‘D. Bonifácio de Calatrava’: agora, dorminhoco e obeso, entrara definitivamente no remanso das dignidades eclesiásticas, e era ‘Reverendo Bonifácio’. (Os Maias, pp.12-13,  Ed. Livros do Brasil)

CARLOS EDUARDO

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“(Maria Monforte) andava lendo uma novela de que era herói o último Stuart, o romanesco príncipe Carlos Eduardo; (…) queria dar esse nome ao filho. Carlos Eduardo da Maia! Um tal nome parecia conter todo um destino de amores e façanhas.” (Os Maias, p.38, Ed. Livros do Brasil)
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Conhecido como o “Bonnie Prince Charlie”, Charles Edward Stuart, nascido em 1720 e falecido em 1788, era filho de James Edward Stuart e neto do rei James II de Inglaterra (e VII da Escócia), que tinha sido deposto em 1688. Pretendente ao trono de Inglaterra, Escócia e Irlanda, tentou restaurar a dinastia dos Stuarts a favor do seu pai. Ao seu lado estavam, sobretudo, católicos escoceses e do norte de Inglaterra, mas a maioria dos britânicos, nomeadamente protestantes (anglicanos e presbiterianos), acusavam-no de falta de abertura à democracia e ao progresso iluminista. Com ajuda francesa liderou, com apenas 24 anos, uma revolta militar, de início bem sucedida, mas foi derrotado na batalha de Culloden em 1746. O fracasso da conquista do trono levou-o ao alcoolismo, refugiando-se em França e, mais tarde, em Itália. Com ele morreu a esperança dos católicos de voltar a controlar o trono inglês.

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