
Cedro

- Tulipa
“Nunca Maria (Monforte) fora tão formosa. A maternidade dera-lhe um esplendor mais copioso; e enchia verdadeiramente, dava luz àquelas altas salas de Arroios, com a sua radiante figura de Juno loira, os diamantes das tranças, o ebúrneo e o lácteo do colo nu, e o rumor das grandes sedas. Com razão, querendo ter, à maneira das damas da Renascença, uma flor que a simbolizasse, escolhera a tulipa real, opulenta e ardente.” (Os Maias, p.36, Ed. Livros do Brasil)

- Jasmim
“Craft e Carlos afastaram-se, ela (Maria Eduarda) passou diante deles, com um passo soberano de deusa, maravilhosamente bem feita, deixando atrás de si como uma claridade, um reflexo de cabelos de oiro, e um aroma no ar.” (Os Maias, p.157, Ed. Livros do Brasil)
“Carlos sentiu bater o coração. Um perfume indefinido e forte de jasmim, de marechala, de ‘tanglewood’ elevava-se de todas aquelas coisas íntimas, passava-lhe pela face como um bafo suave de carícia.” (Os Maias, p.261, Ed. Livros do Brasil)

- Girassol
“O nome do Ramalhete provinha decerto de um revestimento quadrado de azulejos fazendo painel no lugar heráldico do escudo de armas, que nunca chegara a ser colocado, e representando um grande ramo de girassóis atado por uma fita onde se distinguiam letras e números de uma data.” (Os Maias, p.5, Ed. Livros do Brasil)

- Verbena
“Os olhos (condessa de Gouvarinho) brilhavam-lhe, diziam mil coisas; em certos momentos, o cabelo, crespamente ondeado, tomava tons de oiro vermelho: e em torno dela errava, no calor do gás e da enchente, um aroma exagerado de verbena.” (Os Maias, p.143, Ed. Livros do Brasil)

- Lírio
“Ao pé da porta havia um piano antigo de cauda, coberto com um pano alvadio; sobre uma estante ao lado, cheia de partituras, de músicas, de jornais ilustrados, pousava um vaso do Japão onde murchavam três belos lírios brancos.” (Os Maias, p.347, Ed. Livros do Brasil)

- Camélia
“Depois, daí a duas semanas, o Alencar, entrando em S. Carlos ao fim do primeiro acto do ‘Barbeiro’, ficou assombrado ao ver Pedro da Maia instalado na frisa do Monforte, à frente, ao lado de Maria, com uma camélia escarlate na casaca – igual às de um ramo pousado no rebordo de veludo.” (Os Maias, p.26, Ed. Livros do Brasil)

- Gato Angorá
“Este pesado e enorme angorá, branco com malhas louras era agora (…) companheiro de Afonso. Tinha nascido em Santa Olávia, e recebera o nome de ‘Bonifácio’: depois, ao chegar à idade do amor e da caça, fora-lhe dado o apelido mais cavalheiresco de ‘D. Bonifácio de Calatrava’: agora, dorminhoco e obeso, entrara definitivamente no remanso das dignidades eclesiásticas, e era ‘Reverendo Bonifácio’. (Os Maias, pp.12-13, Ed. Livros do Brasil)
CARLOS EDUARDO
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A Soma dos Dias
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