.
|
A NÍVEL FÓNICO
|
|
|
Aliteração |
Repetição de sons consonânticos E as cantilenas de serenos sons amenos/ fogem fluindo à fina flor dos fenos |
|
Onomatopeia |
Palavra(s) cujo significante coincide com o significado, isto é, reproduzem sons do mundo físico; verbos que designam vozes de animais Bramindo o negro mar de longe brada cacarejar, pipilar, grasnar, coaxar,… |
|
A NÍVEL MORFOSSINTÁCTICO
|
|
|
Anáfora |
Repetição de uma ou mais em início de verso ou frase Ela só, quando amena…/ Ela só viu as lágrimas…/ Ela viu as palavras |
|
Assíndeto |
Supressão de conjunções Eu que sou feio, sólido, leal,/ A ti que és bela frágil, assustada |
|
Elipse |
Omissão de informação Aquele Outono passou, outros passaram |
|
Hipérbato |
Inversão abrupta dos elementos da frase Os duros/ casos que Adamastor contou futuros |
|
Paralelismo |
Repetição do esquema de construção da frase ou verso O polvo com aquele seu capelo na cabeça parece um monge, com aqueles seus raios estendidos parece uma estrela |
|
Pleonasmo |
Repetição de uma ideia já expressa Vi, claramente visto, o lume vivo |
|
Polissíndeto |
Repetição de conjunções Aqui e no pátio e na rua e no vapor eno comboio e no jardim e onde quer que nos encontremos |
|
Quiasmo |
Estrutura cruzada de quatro elementos, agrupados dois a dois Os louros mais vale merecê-los sem os ter do que possuí-los sem os merecer |
|
A NÍVEL SEMÂNTICO
|
|
|
Alegoria |
Constituição de um conceito abstracto A morte é uma ceifeira |
|
Animismo |
Atribuição de vida a seres inanimados Plácida, a planície adormece, lavrada ainda de restos de calor |
|
Antítese |
Apresentação de um contraste entre duas ideias ou coisas Ganhe um momento o que perderam anos /Saiba morrer o que viver não soube |
|
Apóstrofe |
Interpelação de alguém ou alguma coisa personificada Ó glória de mandar! Ó vã cobiça /Desta vaidade a que chamamos fama |
|
Comparação |
Relação de semelhança entre duas ideias ou coisas, através de palavra ou expressão comparativa ou de verbos a ela equivalentes O génio é humilde como a natureza A rua parece um formigueiro agitado |
|
Eufemismo |
Expressão que procura inimizar ou disfarçar uma ideia desagradável Desviar uma quantia de dinheiro (= roubar) |
|
Gradação |
Disposição de ideias em progressão ascendente ou descendente Ao princípio lê com dissabor, pouco depois sem fastio, por fim, com gosto e dali por diante com fome, com ânsia, com cuidado, com desengano, com devoação |
|
Hipálage |
Atribuição ao objecto de uma qualidade do sujeito Elisa fumava um cigarro pensativo e lia a prosa sonolenta de um jornal |
|
Hipérbole |
Exagero de palavras para ampliar um ideia Se um trovão rebentasse nos seus ouvidos, não ouviria o som, absorvido como estava por aquela ideia |
|
Ironia |
Dizer o contrário daquilo que as palavras significam E, então, muito inteligente, perguntou quanto eram dois mais dois |
|
Lítotes |
Afirmação pela negação do contrário Essa rapariga não é feia |
|
Metáfora |
Relação de identificação entre dois termos O João é um leão |
A Soma dos Dias
Hotel Lawrence
Comentários
recursos estilísticos e figuras de estilo sao as mesmas coisas ?
As figuras de estilo têm um processo de elaboração prévio que as distingue umas das outras. O recursos, por sua vez, dependem da intencionalidade do seu autor. Por exemplo, a pontuação e a adjetivação podem ser recursos, mas não são figuras de estilo. Por outras palavras, o processo de elaboração de uma figura de estilo é idêntico para todos os autores (daí que uma metáfora seja sempre uma metáfora) mas o facto de o mesmo autor insistir num determinado tipo de pontuação num determinado texto é apenas um recurso por ele próprio construído com uma determinada intenção naquele contexto.
Concluindo, as figuras de estilo são recursos, mas recursos não são figuras de estilo.