Impressionismo
“A reprodução da realidade, de maneira impessoal, objetiva, exata, minuciosa, constituía a norma realista; para o impressionista, a realidade ainda persiste como foco de interesse, mas, ao contrário, o que pretende é registar a impressão que a realidade provoca no espírito do artista, no momento mesmo em que se dá a impressão. O mais importante no Impressionismo é o instantâneo único, tal como aparece ao olho do observador, que é por ele reproduzido caprichosa e vagamente. Não se trata de apresentar o objeto tal como visto, mas como é visto e sentido num dado momento.”
(A. Coutinho, Introdução à Literatura no Brasil, 5ªed, Rio de Janeiro, Ed. Bertrand Brasil, 1990)
A mim o que me preocupa é o que me rodeia
A poesia do quotidiano despoetiza o acto poético, daí que a sua poesia seja classificada como prosaica, concreta. O poeta pretende captar as impressões que os objetos lhe deixam através dos sentidos.
Ao vaguear, ao deambular, o poeta perceciona a cidade e o “eu” é o resultado daquilo que vê.
Cesário não hesita em descrever nos seus poemas ambientes que, segundo a conceção da poesia, não tinham nada de poético.
Cesário não só surpreende os aspetos da realidade como sabe perfeitamente fazer uma reflexão sobre as personagens e certas condições.
A representação do real quotidiano é, frequentemente, marcada pela captação perfeita dos efeitos da luz e por uma grande capacidade de fazer ressaltar a solidez das formas (visão objetiva), embora sem menosprezar uma certa visão subjetiva – Cesário procura representar a impressão que o real deixa em si próprio e às vezes transfigura a realidade, transpondo-a numa outra.
Linguagem e Estilo
Cesário Verde é caracterizado pela utilização do Parnasianismo que é a busca da perfeição formal através de uma poesia descritiva e fazendo desta algo de escultórico, esculpindo o concreto com nitidez e perfeição. O Parnasianismo é também a necessidade de objectivar ou despersonalizar a poesia e corresponde à reação naturalista que aparece no romance. Os temas desta corrente literária são temas do quotidiano com um enorme rigor a nível de aspeto formal e há uma aproximação da poesia às artes plásticas, nomeadamente a nível da utilização das cores e dos dados sensoriais.
Cesário utiliza também uma linguagem prosaica, ou seja, aproxima-se da prosa e da linguagem do quotidiano.
A obra de Cesário caracteriza-se também pela técnica impressionista ao acumular pormenores das sensações captadas e pelo recurso às sinestesias, que lhe permitem transmitir sugestões e impressões da realidade.
A nível morfossintáctico recorre à expressividade verbal, à adjectivação abundante, rica e expressiva, por vezes em hipálage, ao colorido da linguagem e tem uma tendência para as frases curtas.
- Vocabulário concreto
- Linguagem coloquial
- Predomínio do uso do decassílabo e do Alexandrino
- Uso do assíndeto que resulta da técnica de justaposição de várias perceções
- Técnica descritiva assente em sinestesias, hipálages, na expressividade do advérbio, no uso do diminutivo e na utilização da ironia como forma de cortar o sentimentalismo (equilibrar).
A Soma dos Dias
Hotel Lawrence