Os Maias, Eça de Queirós

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“Carlos veio ocupar junto da janela, a costumada poltrona da repes. Mas pela primeira vez, desde a sua intimidade, houve entre eles um silêncio difícil. Depois ela queixou-se do calor, desenrolando distraidamente o bordado; e Carlos permanecia mudo, como se para ele, nesse dia, apenas houvesse encanto, apenas houvesse significação numa certa palavra de que os seus lábios estavam cheios e que não ousavam murmurar, que quase receava que fosse adivinhada, apesar de ela suforcar o seu coração.

- Parece que nunca acaba esse bordado! – disse ele por fim, impaciente de a ver, tão serena, a ocupar-se das suas lãs.

- E para que se há-de acabar? O grande prazer é andá-lo a fazer, pois não acha? Uma malha hoje, outra amanhã, torna-se assim uma companhia… Para que se há-de querer chegar logo ao fim das coisas?”

(Eça de Queirós, Os Maias)

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