2012

Posted: Janeiro 5, 2012 in Comemoração

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Natal 2011

Posted: Dezembro 15, 2011 in Natal

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Os Maias, Eça de Queirós

Posted: Dezembro 4, 2011 in Os Maias

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“Carlos veio ocupar junto da janela, a costumada poltrona da repes. Mas pela primeira vez, desde a sua intimidade, houve entre eles um silêncio difícil. depois ela queixou-se do calor, desenrolando distraidamente o bordado; e Carlos permanecia mudo, como se para ele, nesse dia, apenas houvesse encanto, apenas houvesse significação numa certa palavra de que os seus lábios estavam cheios e que não ousavam murmurar, que quase receava que fosse adivinhada, apesar de ela suforcar o seu coração.

- Parece que nunca acaba esse bordado! – disse ele por fim, impaciente de a ver, tão serena, a ocupar-se das suas lãs.

- E para que se há-de acabar? O grande prazer é andá-lo a fazer, pois não acha? Uma malha hoje, outra amanhã, torna-se assim uma companhia… Para que se há-de querer chegar logo ao fim das coisas?”

(Eça de Queirós, Os Maias)

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Vede, peixes, quão grande bem é estar longe dos homens. Perguntando um grande filósofo qual era a melhor terra do Mundo, respondeu que a mais deserta, porque tinha os homens mais longe. Se isto vos pregou também Santo António – e foi este um dos benefícios de que vos exortou a dar graças ao Criador – bem vos pudera alegar consigo, que quanto mais buscava a Deus, tanto mais fugia dos homens. Para fugir dos homens deixou a casa de seus pais e se recolheu a uma religião, onde professasse perpétua clausura. E porque nem aqui o deixavam os que ele tinha deixado, primeiro deixou Lisboa, depois Coimbra, e finalmente Portugal. Para fugir e se esconder dos homens mudou o hábito, mudou o nome, e até a si mesmo se mudou, ocultando sua grande sabedoria debaixo da opinião de idiota, com que não fosse conhecido nem buscado, antes deixado de todos, como lhe sucedeu com seus próprios irmãos no capítulo geral de Assis. De ali se retirou a fazer vida solitária em um ermo, do qual nunca saíra, se Deus como por força o não manifestara e por fim acabou a vida em outro deserto, tanto mais unido com Deus, quanto mais apartado dos homens.

Sermão de Santo António aos Peixes, Padre António Vieira

Formas de controlar o stress

Posted: Novembro 26, 2011 in Gestão do tempo

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As situações de stress podem ser inevitáveis e estar além do nosso controle, mas as ansiedades despertadas podem ser aliviadas usando algumas técnicas anti-stress. Essas técnicas ajudam-no a reduzir o stress diário, a libertar o stress acumulado ao longo do tempo e a detetar sinais de alerta de stress.

Fazer pausas regulares

Um pequeno período de descanso durante o dia ajuda a libertar a pressão e arefrescar a cabeça após uma sessão de grande concentração mental ou física ou ainda a se sentir frustrado com algum projeto.

Organizar cada dia

Faça uma lista do que precisa de executar por ordens de prioridade, estabeleça metas realistas, diga que não ao inaceitável ou impraticável e termine uma tarefa antes de passar para a seguinte; isso pode ajudá-lo a sentir que controla a situação.

Ser realista

Não tente fazer tudo. Às vezes, para aliviar um horário apertado, pode ter necessidade de mudar de ideias ou compromissos: não se sinta culpado por fazer isso.

Cuidar da sua vida social É importante desenvolver interesses fora da sua família ou profissão. Não esteja sempre a ignorar os amigos em favor do trabalho ou da profissão.
Consultar o médico

Se o stress na sua vida se tornou insuportável ou está a causar sintomas físicos ou depressão, as sessões de aconselhamento podem ser úteis para tornar o seu estilo de vida menos desgastante.

Fazer exercício regularmente

A atividade física reduz a tensão, ajuda a dormir melhor, liberta emoções ocultas e diminui as preocupações. Escolha uma actividade pelo prazer que ela lhe dá e não para satisfazer um competitivo desejo de vencer.

Relaxar

Relaxar alivia os sinais de alerta de stress, tais como dores de cabeça e de músculos ou dificuldade em dormir. Um relaxamento muscular progressivo, meditação e ioga são boas formas para manter sintomas de stress à distância.

Conversar sobre os seus problemas

Os seus amigos ou familiares podem ser um bom auxílio para descobrir uma solução. Mesmo que assim não seja, o facto de discutir os problemas, ajuda.

Tirar férias ou fazer pequenas pausas

É melhor afastar-se de casa se o facto de ficar implica realizar atividades que lhe causam stress, como remodelações ou limpezas.

Evitar fazer muitas mudanças de uma só vez

É mais fácil lidar com grandes acontecimentos que requerem alterações no seu estilo de vida se as alterações não ocorrerem todas ao mesmo tempo.

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Descendo ao particular, direi agora, peixes, o que tenho contra alguns de vós. E começando aqui pela nossa costa: no mesmo dia em que cheguei a ela, ouvindo os roncadores e vendo o seu tamanho, tanto me moveram o riso como a ira. É possível que sendo vós uns peixinhos tão pequenos, haveis de ser as roncas do mar?! Se, com uma linha de coser e um alfinete torcido, vos pode pescar um aleijado, porque haveis de roncar tanto? Mas por isso mesmo roncais. Dizei-me: o espadarte porque não ronca? Porque, ordinariamente, quem tem muita espada, tem pouca língua. Isto não é regra geral; mas é regra geral que Deus não quer roncadores e que tem particular cuidado de abater e humilhar aos que muito roncam. S. Pedro, a quem muito bem conheceram vossos antepassados, tinha tão boa espada, que ele só avançou contra um exército inteiro de soldados romanos; e se Cristo lha não mandara meter na bainha, eu vos prometo que havia de cortar mais orelhas que a de Malco. Contudo, que lhe sucedeu naquela mesma noite? Tinha roncado e barbateado Pedro que, se todos fraqueassem, só ele havia de ser constante até morrer se fosse necessário; e foi tanto pelo contrário, que só ele fraqueou mais que todos, e bastou a voz de uma mulherzinha para o fazer tremer e negar. Antes disso já tinha fraqueado na mesma hora em que prometeu tanto de si. Disse-lhe Cristo no horto que vigiasse, e vindo de aí a pouco a ver se o fazia, achou-o dormindo com tal descuido, que não só o acordou do sono, senão também do que tinha blasonado: Sic non potuisti una hora vigilare mecum? Vós, Pedro, sois o valente que havíeis de morrer por mim, «e não pudestes uma hora vigiar comigo»? Pouco há, tanto roncar, e agora tanto dormir? Mas assim sucedeu. O muito roncar antes da ocasião, é sinal de dormir nela. Pois que vos parece, irmãos roncadores? Se isto sucedeu ao maior pescador, que pode acontecer ao menor peixe? Medi-vos, e logo vereis quão pouco fundamento tendes de blasonar, nem roncar.

Sermão de Santo António aos Peixes, Padre António Vieira

 

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“Com os voadores tenho também uma palavra, e não é pequena a queixa. Dizei-me, voadores, não vos fez Deus para peixes? Pois porque vos meteis a ser aves? O mar fê-lo Deus para vós, e o ar para elas. Contentai-vos com o mar e com nadar, e não queirais voar, pois sois peixes. Se acaso não vos conheceis, olhai para as vossas espinhas e para as vossas escamas, e conhecereis que não sois aves, senão peixes, e ainda entre os peixes não dos melhores. Dir-me-eis, voador, que vos deu Deus barbatanas maiores que aos outros de vosso tamanho. Pois porque tivestes maiores barbatanas, por isso haveis de fazer das barbatanas asas?! Mas ainda mal pois tantas vezes vos desengana o vosso castigo. Quisestes ser melhor que os outros peixes, e por isso sois mais mofino que todos. Aos outros peixes do alto mata-os o anzol ou a fisga, a vós sem fisga nem anzol, mata-vos a vossa presunção e o vosso capricho. Vai o navio navegando e o marinheiro dormindo, e o voador toca na vela ou na corda, e cai palpitando. Aos outros peixes mata-os a fome e engana-os a isca, ao voador mata-o a vaidade de voar, e a sua isca é o vento. Quanto mehor lhe fora voar por baixo da quilha e viver, que voar por cima das antenas e cair morto.

Grande paixão é que, sendo o mar tão imenso lhe não basta a um peixe pequeno todo o mar, e queira outro elemento mais largo. Mas vede, peixes, o castigo da ambição. O voador, fê-lo Deus peixe, e ele quis ser ave, e permite o mesmo Deus que tenha os perigos de ave e mais os de peixe. Todas as velas para ele são redes, e todas as cordas, laços, como ave. Vê, voador, como correu pela costa o teu castigo. Há pouco nadavas vivo no mar com as barbatanas, e agora jaz em um convés amortalhado nas asas. Não contente com ser peixe, quiseste ser ave, e já não és ave nem peixe; nem voar poderás já, nem nadar. A natureza deu-te a água, tu não quiseste senão o ar, e eu já te vejo posto ao fogo. Peixes, contente-se cada um com seu elemento. Se o voador não quisera passar do segundo ao terceiro, não viera parar ao quarto. Bem seguro estava ele do fogo, quando nadava na água, mas porque quis ser borboleta das ondas, vieram-se-lhe a queimar as asas.”

(Sermão de Santo António aos Peixes, Padre António Vieira)

 

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«Filosofando, pois, sobre a causa natural desta providência, notei que aqueles quatro olhos estão lançados um pouco fora do lugar ordinário, e cada par deles, unidos como os dois vidros de um relógio de areia, em tal forma que os da parte superior olham direitamente para cima, e os da parte inferior direitamente para baixo. E a razão desta nova arquitectura, é porque estes peixinhos, que sempre andam na superfície da água, não só são perseguidos dos outros peixes maiores do mar, senão também de grande quantidade de aves marítimas, que vivem naquelas praias; e como têm inimigos no mar e inimigos no ar, dobrou-lhes a natureza as sentinelas e deu-lhes dois alhos, que direitamente olhassem para cima, para se vigiarem das aves, e outros dois que direitamente olhassem para baixo, para se vigiarem dos peixes.

Oh que bem informara estes quatro olhos uma alma racional, e que bem empregada fora neles, melhor que em muitos homens! Esta é a pregação que me fez aquele peixezinho, ensinando-me que, se tenho fé e uso da razão, só devo olhar direitamente para cima, e só direitamente para baixo: para cima, considerando que há Céu, e para baixo, lembrando-me que há Inferno. Não me alegou para isso passo da Escritura; mas então me ensinou o que quis dizer David em um, que eu não entendia: Averte oculos meos, ne videant vanitatem. ‘Voltai-me, Senhor, os olhos, para que não vejam a vaidade’.»

(Sermão de Santo António aos Peixes, P. António Vieira)